A melhor forma de produzir proteína animal, do ponto de
vista ambiental, é a partir da aquicultura - ou seja, do cultivo de pescados em
viveiro. Pelo menos, essa é a conclusão do relatório “Blue Frontiers: Managing
the environmental costs of aquaculture” (Fronteiras azuis: gerenciando os
custos ambientais da aquicultura, em português), publicado em 2011 pela ONG CI
- Conservação Internacional, em parceria com a organização The WorldFish
Center.
O estudo apontou que, em comparação aos outros sistemas de
produção de proteína animal - como, por exemplo, a criação de gados bovino e
suíno -, a aquicultura é a que causa menos danos ao meio ambiente. Isso porque,
segundo o relatório, os produtos da aquicultura emitem menos nitrogênio e
fósforo durante o processo de produção, reduzindo sua contribuição para as
mudanças climáticas, por quilo de alimento produzido.
O documento - que também levou em conta aspectos como
acidificação, demanda energética e ocupação de terra - ainda concluiu que a
aquicultura é o sistema de produção alimentar mais eficiente, já que, em
comparação com a carne suína e bovina, o percentual de proteína consumível do
pescado é muito maior, o que resulta em menos desperdício de alimento.
No entanto, o estudo chama a atenção para o fato de que,
apesar de ser uma excelente alternativa para a produção mundial de alimentos, a
aquicultura precisa de grandes investimentos em pesquisa e inovação para que
seja feita de forma sustentável, sem ameaçar a biodiversidade dos ambientes
costeiros e de água doce.
Isso porque, segundo a FAO - Organização das Nações Unidas
para Alimentação e Agricultura, a aquicultura é um dos setores de produção
alimentar que mais cresce atualmente - cerca de 8,4% ao ano -, o que fez com
que a indústria se estabelecesse de forma desorganizada e, consequentemente,
insustentável em todo o mundo. No Brasil, por exemplo, a produção de camarões
em cativeiro aumentou 60 vezes em pouco mais de 10 anos, gerando uma ocupação
irregular nas áreas de manguezal e, consequentemente, prejudicando a vida
marinha que habita o ecossistema.
Segundo o relatório, para evitar esse tipo de impacto - que
pode se tornar ainda maior, uma vez que o ritmo de crescimento do setor não
diminuirá, pelo menos, até 2030 -, são necessárias algumas medidas, tanto dos
governos quanto dos profissionais da indústria de aquicultura. Entre elas:
- apoio à inovação;
- criação de marco regulatório para a indústria, que
contemple os aspectos ambientais e
- monitoramento constante das atividades do setor.
Após quase dois anos de coleta e análise de dados, os pesquisadores
descobriram que:
• A China e o resto da Ásia fornecem, coletivamente, a
maioria esmagadora do pescado mundialmente cultivado disponível no mercado
mundial, com 91% do suprimento global. A China sozinha contabiliza 64% da
produção internacional.
• Na outra
extremidade da cadeia de suprimentos, a Europa produz 4,4%, a América do Sul
2,7%, a América do Norte 1,9% e a África 1,6%.
• Aquiculturas mais populares por país: a carpa encabeça a
lista na China e no resto da Ásia; o salmão é o número um na Europa e na
América Latina, as tilápias são os principais na aquicultura africana.
• As aquiculturas com maior impacto ambiental incluem:
enguia, salmão, camarão e pitu, devido ao alto consumo de energia e à grande
quantidade de peixe usado como ração; estas são as indústrias com maior
necessidade de aprimoramento.
• As aquiculturas com os menores impactos ambientais
incluem: moluscos (mexilhões e ostras), mariscos, algas marinhas (aquelas mais
abaixo na cadeia alimentar; não necessitam de alimentação adicional).
• Eficiência dos métodos de produção de salmão: embora a
produção do salmão tenda a ocupar os níveis mais altos da escala de impacto
ambiental devido ao uso de peixes como ração, constatou-se que os métodos de
produção do norte da Europa, Canadá e Chile são mais eficientes do que os da
China e de outros países asiáticos (em termos de acidificação, mudanças
climáticas, demanda de energia e ocupação do solo).
• Eficiência dos métodos de produção de camarão e pitu:
constatou-se que o cultivo na China é muito menos eficiente do que em outros
países produtores (por exemplo, Tailândia) em termos de acidificação,
alterações climáticas e demanda energética.
• Aquicultura comparada à pesca na natureza: a aquicultura
contabiliza hoje a maioria significativa das algas marinhas (99%), carpas (90%)
e salmão (73%) consumidos, e também é responsável por metade (50%) do
fornecimento global total de tilápias, bagres, mariscos, caranguejos e
lagostas.
Veja o relatório Blue Frontiers: Managing the environmental costs of aquaculture, na íntegra, em inglês.
FONTES: Débora Spitzcovsky.
Disponível em http://planetasustentavel.abril.com.br/noticias/aquicultura-sustentavel-producao-proteina-animal-pescado-631553.shtml




















